segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Purpurado meditou sobre o exemplo de São Francisco de Assis, que "incendiou o mundo de fervor missionário e reorientou o olhar e o coração dos fiéis para o essencial.




Urgem sacerdotes santos nos quais nada obscureça o brilho de Deus, disse o Cardeal Piacenza

Los Angeles, Outubro 05, 2011 / 12:41PM (EWTN Noticias/ACI Prensa)

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Na  homilia da Missa que presidiu em 4 de outubro no dia de São Francisco de Assis na arquidiocese de Los Angeles, a maior dos Estados Unidos, o Prefeito da Congregação para o Clero no Vaticano, Cardeal Mauro Piacenza, assinalou que o mundo de hoje necessita urgentemente de sacerdotes santos nos quais nada do humano possa um dia obscurecer a beleza e a fascinação do Senhor.

EWTN Notícias dá a conhecer nesta nota alguns extratos desta homilia e de outros três discursos que pronunciou o Cardeal Piacenza durante sua estadia na cidade de Los Angeles, nas quais meditou sobre a identidade do sacerdote, a centralidade das Escrituras, a importância vital da Eucaristia, e a urgência da santidade.

Em sua homilia da Missa que celebrou no Seminário Arquidiocesano, o Purpurado meditou sobre o exemplo de São Francisco de Assis, que "incendiou o mundo de fervor missionário e reorientou o olhar e o coração dos fiéis para o essencial: Jesus de Nazaré, o Verbo eterno feito Homem, morto e Ressuscitado!"

O Cardeal disse que "a experiência da vocação é sempre a de uma grande predileção, imerecida, nunca fruto de esforços humanos, mas dom gratuito da misericórdia de Deus. Na vocação todos nós temos sido ‘tomados por Cristo’, envoltos em seu desígnio de amor, abraçados numa história que será eterna!"

"Esta inserção na vida divina, iniciada no santo batismo, e para nós extraordinariamente renovada pela vocação sacerdotal, tem o sabor da totalidade. Cristo se dá todo e  pede tudo!"

Esta entrega total do sacerdote, explicou, se dá na Cruz como mostra o exemplo da vida de São Francisco, cujo memorial se celebra cotidianamente na Eucaristia que deve ser "o verdadeiro centro da vida de um seminário e de um seminarista".

"Sem esta centralidade eucarística orante, que supera qualquer outro meio formativo, não há autêntica formação sacerdotal. Por isso é tão importante um autêntica e correta vida litúrgica! O homem da Eucaristia se forma na escola da Eucaristia".

Por isso, alentou, "devemos implorar com insistência para quantos se preparam hoje ao Ministério Sacerdotal aquela radicalidade e aquele fervor que teve São Francisco".

O Cardeal incentivou os seminaristas  a viverem intensamente o tempo de formação no seminário, com muito trabalho "mesmo às vezes fatigante, sobre ele mesmo, para que nada de nossa humanidade possa um dia obscurecer a beleza e a fascinação do Senhor!"

O seminário, continuou, é o tempo da preparação da Verdade, "não das opiniões de um teólogo ou outro, mas da Verdade que Deus nos  revelou sobre Si mesmo e que, em  diferentes épocas da história, permanece sempre imutável, como Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e sempre!"

A Palavra de Deus  na vida do sacerdote

No dia 3 de outubro, o Cardeal Piacenza dedicou uma conferência aos seminaristas titulada "A Palavra de Deus na vida do sacerdote" na qual meditou sobre a exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini.

O Cardeal explicou a importância do Concílio Vaticano II para a vida da Igreja Católica, que deve ser compreendida como um fato vital que não gera ruptura.

"Sempre é bom recordar que a única autêntica hermenêutica do grande acontecimento conciliar é a da continuidade e da reforma", indicou.

"Não existem duas Igrejas católicas, uma preconciliar e uma pósconciliar; se assim fosse, a segunda seria ilegítima!", precisou.

O Purpurado do Vaticano disse que esta perspectiva é importante para entender a função das Sagradas Escrituras na vida de todo presbítero. A Palavra de Deus, disse, "é uma pessoa, não um livro. É necessário reconhecer que o Cristianismo mantém, respeito aos escritos nos quais se inspira, uma relação única, que nenhuma outra tradição religiosa pode ter".

Estas Escrituras, explicou também o Cardeal, não pode separar-se da Tradição: "Nunca é lícito separar a Escritura da Tradição; como tampouco é lícito separá-las da interpretação que delas deu e dá o Magistério da Igreja. Separações deste tipo levam à sempre gravíssimas consequências espirituais e pastorais".

"Uma Escritura sem Tradição seria um livro histórico e a história nos fala do pensamento dos demais, enquanto que a Teologia quer falar de Deus", precisou.

O Cardeal indicou também que "o tríptico Escritura-Tradição-Magistério, na realidade, do ponto de vista estritamente histórico, deveria configurar-se como: Tradição, entendida como lugar no qual a Escritura nasce, Escritura e Tradição vinculada à Escritura; tudo, autorizadamente interpretado pelo Magistério, ou, pelos legítimos Sucessores dos Apóstolos".

Tudo isto, afirmou, evita "prudentemente algumas unilateralidades ilegítimas".
Para ler, conhecer e aderir às Sagradas Escrituras, o sacerdote deve lê-las tendo sempre em conta a participação essencial do Espírito Santo.

"Se Cristo é a plenitude da Revelação e toda a existência de Cristo está no Espírito, então a mesma Revelação é um evento do Espírito: a Tradição  anima o Espírito, a Escritura  inspira o Espírito e o Magistério, na tarefa de interpretar autorizadamente Escritura e Tradição, à guia do Espírito", disse o Cardeal.

O Prefeito assegurou logo que com a leitura das Escrituras no Espírito, "se deve evitar todo enfoque meramente positivista ou limitado ao historicismo, que não permita a compreensão do significado real do texto.

As Escrituras, se nos acercamos a elas prescindindo de sua dimensão neumática, ficam como mudas e, no lugar de falar de Deus e fazer que escutemos Sua Voz, narram simplesmente uma história".

Tratou de ressaltar a importância da Liturgia das Horas na vida do sacerdote, o Cardeal Piacenza explicou que os presbíteros "pelo ministério que nos é encomendado, não somos somente, com todos nosss irmãos, ouvintes da Palavra, mas também autorizados anunciadores e intérpretes desta".

Por isso, disse, "não podemos anunciar o que não conhecemos e se não temos feito como nosso; portanto, a possibilidade do anúncio está estruturalmente vinculada ao conhecimento das Escrituras e da familiaridade e identificação com o pensamento de Cristo".

Neste processo, explicou, não há "mecanismos", mas uma vida profunda interior, tão profunda que permita fazer vida em Cristo, sua mensagem, que também serve para transformar a cultura cotidiana.

"Nada, como o anúncio da Palavra, gera cultura. Gera um modo novo de conceber a vida, as relações, a sociedade e inclusive a política. Um modo que, quanto mais evangélico é, mais se descobre profunda e surpreendentemente correspondente ao coração humano", explicou o Cardeal Mauro Piacenza.

Homens da Eucaristia

No mesmo dia 3 de outubro, o Prefeito da Congregação para o Clero presidiu uma Missa na qual participaram os sacerdotes de Los Angeles de língua espanhola, aos quais  recordou que o presbítero deve ter como centro de sua vida a Eucaristia.

O Purpurado explicou que "qualquer compreensão diferente do ministério, mesmo que tenda a ilustrar aspectos relativos à este, corre o risco de resultar numa redução substancial. O sacerdote é e deve ser principalmente o homem da Eucaristia, segundo o sentido amplo que tem este grande Sacramento e, por tanto, certamente, não deve reduzir o ministério a una função cultual".

A identidade sacerdotal, disse, nasce também e principalmente do Batismo. Pelo fato de ser presbítero,  lhe é pedido mais que ao laico "porque ao sacerdote  lhe é dado muito mais! E não se trata de voltar às formas de clericalismo, que no passado fizeram a comunhão eclesial, mas de por-se à escuta de modo simples, honrado e fiel do que Cristo mesmo estabeleceu para Sua Igreja: o modo concreto que Ele escolheu para permanecer o longo dos séculos como Presença salvífica ao lado dos homens".

O sacerdote, como administrador de sacramentos como a Reconciliação, deve brilhar sempre por seu exemplo, já que "Não pode haver nada, no Sacerdote, que não faça referência à Redenção!

Assim, cada sacerdote deve chegar a ser "de modo cada vez mais perfeito ‘imagens vivas’ do Cristo Bom Pastor. Isto é o que espera o povo Santo de Deus de nós, isto é o que espera o Senhor de nós: que Lhe façamos presente no mundo, a Ele e sua salvação".


Sacerdotes santos

Em 4 de outubro o Cardeal Piacenza dirigiu também um discurso em italiano aos seminaristas de Los Angeles, no qual explicou que o mais urgente no mundo de hoje, é a santidade de cada fiel.

Em sua alocução o Cardeal explicou que a primazia de Deus na vida das pessoas deve plasmar-se em uma vida de oração, de intimidade divina, "primado da vida espiritual e sacramental. A Igreja não necessita de administradores mas de homens de Deus! (...) A Igreja necessita de homens crentes e críveis, de homens que, acolhidos ao chamado do Senhor, sejam Seus testemunhos de motivação para o mundo!"

"A Igreja –prosseguiu– necessita de sacerdotes que, nas tempestades da cultura dominante, quando a ‘barca de não poucos irmãos é golpeada pelas ondas do relativismo’ saibam em efetiva comunhão com Pedro, ter firme o timão da própria existência, das comunidades confiadas a eles e dos irmãos que pedem luz e ajuda para seu caminho de fé".

O Cardeal se referiu à importância essencial da formação intelectual, que deve estar orientada a "transmitir os conteúdos certos da fé, argumentando-os racionalmente" que deve ir acompanhado do exemplo de sacerdotes santos.

Nesta formaçaõ resulta vital o conhecimento do Catecismo da Igreja Católica, um dos grandes frutos do pontificado de João Paulo II, assim como o Concílio Vaticano II, interpretando-o corretamente e não com "o chamado ‘espírito’ do Concílio, que tanta desorientação tem gerado na Igreja, mas com o que realmente o evento conciliar disse, em seus textos à Igreja e ao mundo".

Depois de explicar novamente que não existe uma "Igreja pre-conciliar ou pos-conciliar", o Cardeal exclamou que "a verdadeira prioridade e a verdadeira modernidade, queridos, é a santidade! O único possível recurso para uma autêntica e profunda reforma é a santidade e nós necessitamos de reforma!"

"Para a santidade não há um seminário, mas aquele da graça de Nosso Senhor e da liberdade que se abre humildemente à sua ação plasmadora e renovadora!", concluiu.

Para ler os discursos completos pode ingressar em: http://www.aciprensa.com/Docum/documentos.php?id=26


Leia mais: http://www.ewtnnoticias.com/noticias-catolicas/noticia.php?id=23845#ixzz1aPp3lzyn

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